Joguinhos são tão bons para o ego machista. Volume 2

Aquele momento que você acha que não precisa mais escrever sobre um assunto que você odeia por achar que reverberar tweets, posts do Face e vídeos do YT já são o suficiente para esclarecer seu ponto de vista sobre determinado assunto, mas esse teve que vir em caráter extraordinário em razão de toda a baixaria que se desenrolou desde o princípio.

Pra quem não entendeu ao que me refiro, veja o vídeo abaixo:

Em resumo, a streamer brasileira Gabi Cattuzzo resolveu desabafar uma fatídica situação vivida por toda mulher que quer jogar videogames, referindo-se abertamente a todos os homens como lixo depois de receber uma piadinha de mal gosto no Twitter. Coisa que não foi muito bem digerida pela maioria de pessoas que supostamente acompanham o trabalho da moça e começaram a acusá-la de mimimi e generalização.

Eu jogo videogames desde os meus 5 anos de idade, desde a época em que videogame era visto pela sociedade como brinquedo (pelo menos aqui no Brasil), na minha mente infantil inocente incapaz de compreender as maldades do mundo adulto que insistiam, e ainda insistem, que videogames eram só para meninos eu nunca imaginaria que um dia eu veria minha grande paixão na vida servir de espaço para todo tipo de preconceito possível, que tentariam transformar uma coisa que simboliza entretenimento em uma panelinha onde só certas pessoas são permitidas. Agora, aos meus 31 anos de idade, eu vejo que o buraco é bem mais fundo quando garotas querem apenas fazerem o que elas gostam, no caso jogar videogames, e acabam sofrendo nas mãos de um exército de cagadores de regras e mentes poluídas que acham que garotas jogadoras só podem ser algum fetiche sexual doentio, uma enxurrada de nojeira enfrentada em base diária por garotas querendo fazer algo simples como querer jogar videogames, seja para se divertir e passar um bom tempo sozinho ou com amigos ou seja para competir em eSports e pôr seu nome no alto da comunidade.

Do que eu estou falando? Para uma mulher, de qualquer faixa etária, poder jogar videogames, seja para livestream, competição ou mesmo diversão, ela tem que estar preparada para:
>Receber ofensas e xingamentos com alusões a tarefas domésticas (lavar louça, fazer almoço, etc.);
>Receber cantadas de outros homens com altíssimo teor sexual;
>Ser humilhada por jogar mal;
>Ser humilhada por jogar bem demais;
>Ter suas falas convertidas em piadas infelizes por gente ruim;
>Saber que seus apoiadores também serão rechaçados.

E como se não bastasse todo o “causo” gerado por esse reles desabafo, que eu achei super válido à propósito, a Razer, uma empresa fabricante de acessórios para livestreams e computadores de alta performance para jogos e que patrocinava a Gabi Cattuzzo resolveu vir à público, depois de uma corja ter promovido uma caça às bruxas contra ela, e proferiu o seguinte:

Antes de continuar, se você endossa essa mensagem, feche o texto e vá arrumar o que fazer, pois caso você não tenha entendido a Razer tomou as dores porque alguém chamou de lixo os potenciais consumidores dela usando o nome e produtos da companhia, quando o ideal seria que se abstivessem de se posicionar ou dizer que as falas de um patrocinador não refletem os valores da companhia e tal, todo o texto que se usa pra dar o fora dalí quando a situação aperta. O problema pra mim não é nem a Razer cortar o patrocínio da Gabi, mas sim vir a público postar um texto que praticamente endossa o comportamento machista e enche o ego de quem acha que videogames são só para homens, além de abrir uma brecha para forçarem tópicos políticos em todo o acontecido, algo DESASTROSO de se fazer.

Que eu quero dizer com todo esse meu falatório? Que eu defendo totalmente a Gabi nas declarações dela e nas coisas desagradáveis que ela fez no passado? Não! Eu acho sim que ela teve seus momentos babacas mas ela se dispôs a pedir desculpas e mudar para mostrar ao mundo. Porém, como se diz por aí, a internet não perdoa, e com base no passado dela teve bastante gente concordando com o posicionamento da Razer sem ver todo o mal que isso estava liberando. Eu também tenho um passado condenável, em não estou aqui pra pagar de santo, tem gente que me conhece que pode provar isso inclusive, mas eu também me esforço para não cometer esses deslizes de novo e estar sempre preparado caso eu faça algo de errado mesmo que sem perceber, essa vida de pessoa pública na internet pode soar maravilhoso para alguns mas pra quem as vive pode se tornar um pesadelo caso você não seja capaz de a enfrentar, vide o caso recente do Etika.

Por fim eu gostaria de deixar meu apoio a qualquer um, seja mulher, negro, homossexual, deficiente e qualquer outra classe sujeita a preconceitos do ego gamer hardcore, o meu apoio integral. Esse incidente é a prova de que a luta continua e que videogames precisam deixar de ser uma área para discussões políticas, sociais e de gêneros. Já dizia Reggie Fils-Aime: “Videogames precisam significar só uma coisa: Diversão, diversão para todo mundo”.

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Um pensamento sobre “Joguinhos são tão bons para o ego machista. Volume 2

  1. Sem sombra de duvidas houve um excesso da empresa.

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