Jogos e política se misturam tão bem… só que não.

Chegou o dia em que eu trago política para este blog, coisa que eu relutei MUITO em fazer desde que eu comecei a redatar artigos, primeiro porque outros sites de games já faziam e ainda fazem isso, como se games e política andassem juntos não importa o que, segundo porque eu ODEIO discutir política, já odiava antigamente e nos tempos que vivemos hoje discutir ficou ainda pior, onde os dois extremos do eixo político brasileiro se odeiam como inimigos de morte e um quer exterminar o outro custe o que custar pegando as pessoas de centro na batalha, assim como todas as vezes que falei de política no meu Twitter foi em resposta à coisas muito burras e desinformação.

Pois bem, o texto de hoje aborda dois assuntos: a associação dos videogames à violência endossada pelo presidente estadunidense Donald Trump e a tentativa do atual governo brasileiro encabeçado por Jair Bolsonaro de diminuir em 50% os impostos sobre games no Brasil.

Começando pelo “Tads Unids”, mais um tiroteio em massa dentro de escolas derramou sangue na terra do Tio Sam, o atirador foi preso e o presidente estadunidense veio à público culpar os videogames violentos pelo ocorrido… pela “incontavilésima” vez. Num país onde armas são vendidas até em lojas de conveniência e lidera com folga o ranking de atentados à mão armada no mundo é claro que videogame são a maior causa de tiroteios em ambientes públicos, claro! (Ironia implíctia aqui). O que mais me deixa inconformado aqui é ainda existir funcionários do estado (vereadores, deputados e governantes em geral) que empurram esse discurso numa época em que esportes eletrônicos são uma coisa crescente em todo o mundo e o mercado de videogames movimenta mais dinheiro do que a do cinema, é difícil saber se fazem isso em defesa da chamada “velha mídia” (jornais impressos, televisão, telefone, rádio) ou apenas por uma simples mentalidade retórgada que vê em videogames e em toda a “nova mídia” (internet, redes sociais, comunicadores instantâneos, YouTube, livestreams) algum inimigo a ser destruído. E por que eu falo isso? Porque recentemente tivemos eventos dos eSports que foram recordistas de audiência, as finais de Super Smash Bros. Ultimate na EVO tiveram pouco mais de 270 mil espectadores simultâneos em um horário bem pouco favorecido para quem precisava acordar cedo no dia seguinte, o campeonato mundial de Fortnite que premiou o vencedor com 3 MILHÕES de dólares foi o segundo mais assistido com 250 mil espectadores simultâneos, isso à grosso modo significa que o eSport se tornou o esporte mais consumido da nova mídia! E isso incomoda os canais de esportes tradicionais da televisão, que ora tentam capitalizar em cima disso transmitindo eventos como a Capcom Cup na ESPN, porém, ironicamente, a mesma ESPN cancelou a transmissão de um campeonato de Apex Legends em detrimento do mais recente tiroteio nos EUA! Conveniente, não acham? Retirar da programação aquilo que vem lhes custando audiência para a internet? Ou um exemplo melhor: lembram de quando a Record cobriu o tiroteio em uma escola do bairro do Realengo, no Rio? Quando acharam uma boa apelar pro discurso dos jogos violentos dedicando cerca de 10 minutos à uma matéria cheia de deturpações e desinformações tentando associar o assassino de Realengo à influência de videogames violentos? A Record fez barulho, causou tumulto na internet mas o mais importante, eles fizeram AUDIÊNCIA, é isso o que importa para uma emissora de televisão, é assim que eles pagam os salários de seus colaboradores. Se você concorda que a minha teoria é válida compartilhe este texto com seus amigos e familiares, participe da discussão aqui em baixo nos comentários ou no Twitter.

Mudando de assunto, voltemos ao Brasil, que vive aquele que é seguramente o momento mais bitoresco da política brasileira, o momento em que um meme de internet de péssimo gosto se tornou presidente da república. Eu nunca gostei do Jair Bolsonaro, desde antes dele alcançar a popularidade entre seus seguidores eu já sabia de seu histórico de preconceitos e discriminações. Ex-capitão do exército militar brasileiro e deputado federal por 30 anos, o Bolsonaro foi eleito usando discursos populistas sobre os estragos causados pelos governos anteriores e abusando de um jogo sujo de propagação de fake news. Bom, o que tudo isso tem a ver com jogos? Recentemente, em meio às suas presepadas e as de seus ministros, Bolsonaro anunciou um plano de reduzir em 50% os impostos sobre videogames no país. Seria isso a realização de um sonho pelo qual nós amantes de videogames lutamos por pouco menos de duas décadas? Ou seria isso alguma medida populista para ganhar a simpatia de novos seguidores em um governo com índices de rejeição cada vez mais crescentes?

A resposta é: as duas coisas.

Como assim as duas coisas, você pergunta, e eu te explico o porquê: Diminuir os impostos tornaria videogames mais acessíveis ao público, movimentando o mercado nacional e aumentando a arrecadação do país, o que é ótimo para o PIB. PORÉÉÉÉÉM… o Brasil está com um rombo TRILIONÁRIO nas contas e o ilustríssimo Bolsonaro não sente que deve cobrar dívidas igualmente trilionárias do setor privado para cobrir tal rombo e vem com uma promessa dessas que pode potencialmente aumentar o rombo. E assim, a discussão que surgiu sobre isso até que foi boa, porque motivou debates como a verdadeira necessidade dessa redução de impostos de um mercado que, convenhamos, não é trivial para nossa sobrevivência, como são alimentos, água, luz, gás, telefone e internet, educação e saúde, coisas que merecem muito mais redução de impostos que qualquer outra coisa, inclusive eu sou a favor de reverter esses impostos para coisas que nos fazem mal de verdade, como cigarro, bebida alcoólica, entre outros. Então sim, eu posso esperar mais um pouco pela redução de impostos para games e cobrar mais do nosso presidente em coisas que mais precisamos.

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